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PRA QUE?


De que serve o nada?
O nada,
tem seus acasos,
suas sutilezas
e de lá nescem os embroglios,
trazendo crises,
fazendo estragos...
O nada
é um covil de tudo
que esgana,
o nada
é um cacho esquálido
dos frutos da alegria
que amadurecem e apodrecem
no chão vazio da ilusão,
o nada surge do que?


Luciano Fraga

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O QUE DIZER



A vida
indo e vindo
feito uma rapariga
no asfalto
a morte de salto alto
tem fome de damas;
no outdoor a fotografia anuncia
o lixo que me escravizará
no próximo dia
o sol indevidamente posto
queima meu rosto
para consertar minhas erratas de amor
com um estupor
de alma que espanta
e rasga sedas ao redor...


 
Luciano Fraga

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POR SI
...as flores dos jardins do meu tempo não tem perfume...

Cada um,
cada qual com seu igual,
cada igual,
só...
Cada um com seu par,
ideal ou não,
cada mal com seu juizo,
seu prejuizo
na mão
uma pá de cal
pra jogar sobre cada um
pensamento inimigo
que lhe perpassar...

Luciano Fraga

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Imagem- Albano Ruela
 

CERTOS ARREPENDIMENTOS


Arde-me em leito doente
o suor que ladra
por meu olhos lacrimogênios;
assim,
permita-me mudar
estes ares de arena,
pois a saudade que rosna
debaixo de toda chuva
deflagra paixões trovejantes.
Sai,
roga pragas
contra o poder enlouquecedor da lua,
vem,
que eu ainda pássaro
permito-me entregar as chaves,
espalhar as cinzas
e lambuzar de mel
tudo aquilo de armadilha
que eu nunca mais
ouvi falar...


Luciano Fraga

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PERENIDADE NUM DOMINGO ESTRANHO
 

Li um poema sob o vidro
e sequer pude tocá-lo,
tantas coisas já passaram por mim assim,
até mesmo as feridas que tomei
por oferendas,
não pude cristalizá-las;
eu já nem sei se sou
mais um rio agora
e nem sei se rio mais,
ainda sou um afluente
que nem caiba
numa lágrima,
sequer num oceano de paz...


Luciano Fraga

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DESMEMBRADO

Tristemente dedicado ao CHORÃO- que vença e ultrapasse todos os bardos.




Calma,
ainda continuo fictício,
sigo passeando sobre o asfalto
de tua carne quente
e só você sabe,
do que só eu sei:
o que te intriga
homogêneo acalanto,
alma em silêncio
no minuto abrasador?
Certo ou errado
tudo que digo pelo avesso
é desperdício
e o que faço,
não move uma canção.
Quando entro em desacordo comigo,
cuspo e conspiro:
estar bem ou mar
é uma questão de embarcação,
um descuido de juízo,
vela de barco desastrado,
no fundo:
desencaminhar...






Luciano Fraga

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 QUANDO A NOITE FINDA


Espero os fatos
com os olhos esbugalhados...
Por trás das lentes ungidas
 pelo limiar dos flandres,
persigo o pó da criação
e pela geometria da impaciência,
vejo que a orquestra eu regia
quase não respira
minhas excrescências,
tampouco minhas ascépticas
despedidas.


Luciano Fraga

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GRITANTE


E um ar triste de sal
assumiu suas proezas
em forma de poesia.
E a maresia tratou de desenhar
sua alegoria
com o beijo de quem partiu;
traços de Dalí
desdenharam dos lenços da saudade
que triunfou
e um terrível sopro de flauta doce
rompeu o silêncio incoerente
de um lá
que ainda ontem
era só espasmos e histeria,
mas nada comparado
à brutal realidade fria
que ainda faz meu coração bater,
incidentalmente... 


Luciano Fraga

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Arte- Albano Ruela

SER PURO OU SER VAIDADE


Ser inteiro ou ser pela metade
ser mentira ou ser pela verdade;
ser avaro ou ser pela caridade,
ser alegre ou triste
ou ser felicidade,
ser isso ou aquilo...
A vida é quem incide,
a vida é quem decide
o que cada um deve ser ou ter,
pelo bem ou pelo mal,
pelo bom ou pelo mau
e no cara ou coroa...


Luciano Fraga

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RUMORES
Ave! Tudo tem início
no tempo das figueiras,
as garras, as saídas, as fugas
e as perguntas maduras
transformadas em ferramentas de ferreiro...
Tudo simbolizava fertilidade,
mas tornava-se pedra grávida
entre arco-íris.
O que superava as dores corporais
transitava entre naturezas
e davam o troco através do espelho
que nos devora...
Repartia-me entre fadas e flores
que adornam os jardins
onde os cavalos pisavam...
Sou espirito de floresta,
queimo sob um fogo de palha
e sempre caminho sobre as brasas do azar
para usá-las como escudo
antes de recolher os frutos podres
do meu pomar subterrâneo
onde as crianças brincam...


Luciano Fraga

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HOJE O NADA PALPITA 
 
  
E vós? 
Deixa de lado as sombras... 
Na ponta dos cigarros 
as chamas das impossibilidades
 nascem do nada,
 do não envelhecido,
 do não percebido
 que queima no íntimo silenciado...
 Lá,
 as gotas solitárias do amor
 expelem suas maldades pútridas
 e exalam seus odores calcinados.
 Lá,
 o amor e os meus poemas roubados,
 deslizam suas carcaças
 na praça dos acasos. 
 Lá,
 meu coração aborta estigmas
 submetido ao martírio dos  infelizes;
 no antro do nada,
 o amor desfila seus vícios colonizados
 e se faz presa fácil.
 Não foi por acaso
 que lavei com sangue
 a menina dos meus olhos
 momentos antes de um mantra
 anunciar o gozo que nunca viria...
 
 
 
                                                          Luciano Fraga

Tema Criado por: 'RH Sports Team'
Versos e Perversos