quarta-feira, novembro 02, 2011


UM SOM COMPLETAMENTE MONO-SILÁBICO


“Um deus supérfluo e um demônio necessário, são inconvenientes...”

P. Lemiinsky


Quantos sabem?

O abandono manifestou-se em pedra,

desnorteou horas e cálices.

Desfaço-me e miro o que nela está inscrito:

mordaz ideologia que rejeita a luz do dia

e soterra preconceitos sem sangue...

Ando cansado de saber, não sou culminante, não sou solicitado, tampouco sou a casa de força que move o ponto G...

Muitos são raridades, intervalos de cem respostas, muitos andam... Poucos voam.

Estarrecidos são os deuses que jamais ocupam meu lugar comum, nem são contritos a mim;

assombrosos são meus dedos que não sabem onde tocam, onde percorrem... Em que penetrar?

Nem falo do meu olho direito, estipulo os valores para cada subproduto que me cerca inclusive meus lixos...

Os escorregadios traçam, trançam e nos deixam sem saber, onde estávamos quando tudo desmoronou. A sujeira não era um jardim por acaso. Deque adianta?

Ouço dizer que furam barreiras, que abrem rombos com o vento, que não deixam rastros;

são sintomas, apenas meros sintomas que estão prestes a cair... Nada que contagie. Nada contagioso.

Na fortuna das fogueiras é hora exata de sair da lona, os sinais são nefastos, os estragos

são ilustres...

Não deixe de apalpar as trevas, reduzi-la a uma geração agonizante,

confira todo discurso que não dá em nada com a distração de um fantasma,

afinal quem está feliz para ironizar?

Chego a pensar que sou um despropósito,

uma disparidade às avessas parindo cães nas horas desesperadas.

”O feto fede”.

Seria meu filho, ou seria filho dos outros?

O que quer que haja

melhor romper os lacres,

invadir o aposento da loucura que apedreja,

lapidá-la em festas,

a verdadeira loucura não atira pedras...

Sempre quero suprir céus encobertos com retas palavras

num esforço de trazer dos porões as cinzas, torná-las incensos;

cada hífen perfumado acusa uma desproposital diáspora...

Quem intermediará o que devo levar em conta hoje se eu só acredito em meus olhos?

O adverso é um presente curioso e palpável;

não sou pioneiro do nada,

prefiro seguir parceiro do mau cheiro dos finais de festa

e do que virá...

Luciano Fraga

11 comentários:

MIRZE disse...

INTENSO! FORTE! BELO! VERDADEIRO!

O que muitos escondem por medo, Luciano, meu amigo você escancara sem medo algum.

Fico feliz em ler tudo que escreveu, e que gostaria de ter escrito.

Beijos

Mirze

Ana Lago disse...

Luciano,a vida sempre nos dar lições preciosa para o nosso crescimento,mais alguma fazem tanta
diferênça que são um marco entre o tempo e outro.
Um beijo em seu coração.
Sempre,

Ana.

Adriana Godoy disse...

Tive que ler duas, três vezes, aí o bicho pegou! Demais, Luciano, força, verdade e poesia. Beijo

Luciano Fraga disse...

Mirse amiga, a vida e seus ofertórios,seus repertórios infindáveis, beijo querida.

Luciano Fraga disse...

Ana, "a vida não para não".Abraço.

Luciano Fraga disse...

Adriana minha querida poeta, obrigado pelo bis e pela valiosa atenção sempre, sua VOZ reverbera em mim como reflexão,beijo.

Braga e Poesia disse...

governos e deuses nemhm contrito em mim.
Fraga a sua poesia desaba como um fardo nos ombros dos mediocres e destrava os sabores amargos de imundas bocas, e como um doce destrava corações e pode em algum momento indicar o caminho da morte, por que nos diz a sua poesia a vida não tem estradas, a vida faz estradas.

Luciano Fraga disse...

Braga, sem apegos, sem aversões, cada caminho é uma invenção, um peso, uma disposição, um abalo sísmico, abissal, nós esperamos por uma mão, mas só a poesia nos arranca de lá, abraço.

Denise disse...

Caro Luciano, tão bom quando uma poesia nos revela de algum modo! Obrigada por me fazer de-morar nesta bela poesia.

Abraço,

Denise

Luciano Fraga disse...

Denise, quem fica feliz sinceramente sou eu,Abraço.

guru martins disse...

...pois é
quem será?

aql abç