quarta-feira, novembro 03, 2010

Amizades por Ronaldo Braga

CARA A CARA COM O INFERNO


Estou discutindo a palavra amizade, o que será que existe de verdade nessa palavra e nessa relação detonada por essa palavra? A amizade comercial financeira, amizade grega, a amizade militar, a amizade partidária, a amizade sexual ou a amizade afetiva.
Tenho tido muitas violentas crises de identidade, principalmente comigo mesmo, ou seria possível com outra persona?
Hoje o mundo preto e branco, respira o ar dos finalmentes e das finalizações, pessoas azedas compram sorrisos e bares exigem educação e controle, controle? Estranho o mundo dos espertos até mesmo nos bares, nos estádios estão querendo controle: Amigo o negocio é beber e ser educado, falar baixo.
Eu sou um estúpido ateu, que permito à minha tristeza planos de crescimento e deixo rolar toda a minha virulenta violência, eu gostava dos bares e saibam que se tem um lugar que eu tinha amigos era nos bares, mas isso nunca impediu que eu sempre levasse porradas de clientes e donos, eu sei que aprontava e então os bares fugiram de mim e eu pude sorrir levemente e fechar os olhos e sonhar bombas vermelhas arrasando quarteirões. Eu não sei como os outros se saem nessas situações, eu sempre saio perdendo.
Alguns amigos te exigem fidelidade, mas são infiéis, outros te pedem demais e poucos nem te conhecem.
Antes, no negócio da amizade é preciso atenção na descida do esparro que a alegria alavanca, um amigo novo sempre chega bem devagarinho e quando você percebe já ordena e organiza teu inferno.
Na primeira juventude amizade é afirmação e o re-re-reconhecer no outro o você e você nas ações de um outro-eu-mesmo, depois é necessário emprego, dinheiro, mulheres e por outro lado a amizade agora é a base de um sucesso que fracassado já nasceu, mas que nem mesmo você sabe. Os dias viram décadas e então nos cabelos brancos a amizade é memória, constatação, decepção de um você arrancado até seu ultimo desejo e então amizade é solidão.
O ideal seria não haver este encontro, gostar do que em uma pessoa?
Eu prefiro gostar das ações e hoje a distancia me parece o melhor remédio, encontros nos desencontros, pois amigo mesmo é o seu inimigo e ele pode ser a diferença entre a tua imbecil esperança e a tua vitoria caliente.
Preservo em minha memória ainda desejos de encontros, salutares conversas e alegrias furtadas de uma dor maior desconhecida, que a população do século das luzes jogam para baixo do tapete e punem com severidades àqueles que preferem o cara a cara com o inferno e que escarram sem nojo o próprio rosto.
Pessoas são tolerantes e nada amantes, antigo reflexo de um perigo imanente em um passado hostil e tenaz, covardes pessoas programam futuros em perdidos presentes e se armam, se enganam, se escondem quando amam, e ai são sempre super homens e super mulheres, mas basta o acender das luzes e primatas mostram a cara de bicho, o respirar animal e como disse artaud um ser humano sem controle é apenas um estúpido animal sexual.
Artaud tem razão eu sou apenas um estúpido animal sexual
Amigo, amizade é negocio e negocio se ganha e se perde.
Mas o que me não espanta

É que você quer só ganhar.
Ronaldo Braga

10 comentários:

Luciano Fraga disse...

Braga,uma temática muito interessante,quem são nossos verdadeiros amigos? Sei também que você não fala daquele inferno. da visão cristã.Abraço.

Ana disse...

Olá Luciano,

"Mas o que não me espanta,
É o que você quer só ganhar"
O mundo bombardeia você com
milhares de distrações,obstácu-
los,medos e desejos de prazeres
vazios,fáceis e rápdos.
Se vc jogar,jogue para ganhar,
agora,se perder.."sacode a poera
e dar volta por cimaaa."(rs)

Bacana e claro o texto do Ronaldo.

abraço,

Ana Lgo.

Adriana Godoy disse...

Pois é, esse tema pede reflexões. texto interessante. Vou ler de novo, Bj

Mirze Souza disse...

Muito BOM!

Difícil porém, concordo com o autor é saber quem são os verdadeiros amigos.

Amigos de bares, são apenas amigos daquele momento.

Bem, não posso falar muito, porque desisti. Prefiro ser minha amiga, e o "lero" com os outros, é com um pé atrás.

O que foi que aconteceu com o mundo?

Parabéns pelo tema!

Luciano, meu amigo deixo-lhe aquele abraço forte!

Mirze

rbraga disse...

caro fraga, aqui a invadir esse espaço.
A literatura pode ser apenas um espaço lugar, mas tambem pode ser um lugar sem espaço e nesse jogo que é mais que uma brincadeira eu cravo com dentes as minhas parcas ideias.

Luciano Fraga disse...

Ana,vejo que em todas relações humanas devemos buscar sempre uma troca,cada individuo reflete um universo e a beleza disso é a valorização de todos os detalhes de cada um,longe longe de negociatas, longe de ganhar ou perder próprio de quem joga... abraço.

Luciano Fraga disse...

Adriana, muito importante inclusive a reflexão sobre o fogo "amigo", sempre a nos rondar, beijo.

Luciano Fraga disse...

Mirse amiga, o mundo e as diversas manifestações, os contatos sem contatos, tem nos levado a isso mesmo, distanciamento, desconfiança o que é muito triste quando ainda podemos acreditar em amigos sinceros, forte abraço.

Luciano Fraga disse...

Braga, "a literatura é uma dama triste" mas faz e nos mantém firmes o suficiente para que não andemos com a cabeça baixa e nos leva a recusa de prostarmos os joelhos no chão a dizer amém.Não são parcas idéias é pensar... Abraço.

José Expedito dos Santos disse...

Rs, é tão infantil, porque tão gostosinho, ficar assim, seja num bar, num barco, seja em casa, sozinho ou acompanhado, preocupado só se for muito além das questões de verdade e mentira, quase um eter ou eldorado conquistado, todos, sozinhos ou acompanhados, nenhuma diferença ou indiferença, nenhuma questão, a maquinaria forjando o moto perpétuo

"Quando uma obra de arte original é inserida num sistema de valores, é preciso repensar o sistema inteiro.
Para a pichação, como antes para o grafite, isso não é necessário"
Lorenzo Mammi (Folha de SP - 17/10 - ilustríssima)

Eu realmente, encarei cada um como se eu fosse original como são assim todos, alguns diálogos e percebi que não são originais, talvez o mesmo ocorreu com cada um em relação a mim, mas o que eu fazia, mergulhava no devir de cada um e encontrava perólas que poderiam estar encadeadas, procurava o pescoço e lá estava alguém, eu dizia
- uhm, que interessante essa idéia!
Quem comentava o meu comentário, quando havia, o resto desaparecia feito combustão espontânea, dizia
- É, obrigado, ou, muito obrigada, as suas tb são mto boas.

De repente ou demoradamente todos se perceberam nada originais. Nós perdemos qualquer possibilidade de diálogos originais; poderíamos ter maquinado até um sistema de valores, como foi exemplar A Voz da Pedra.

A mala de informações ao meu respeito não era preta, claro, era branca, rs, de paz, só de paz, nenhuma titica qualquer de mágoa ou sangue de inveja e covardia.

Tudo foi bem, não se discute o sexo dos anjos.