sábado, dezembro 19, 2009

GEMIDOS-Ronaldo Braga

Reverse-Janny Saville

Um profundo e curto gemido e nada mais.O terror era sustentado no silencio de cada olhar incredulo, E aquele insano gemido ecoava desesperadamente nas nossas caras. Eu tentava ouvir monica montone que longe cantava.Como fantasmas nos sentimos transparentes e abatidos. Era ainda tarde naquela noite que se apresentava em cores belas e cheias, todos os olhares presos no norte, recebiam sons inimagináveis.O gemido engatinhava nos meus desesperos e espantava o ar quente dos meus olhos, enquanto a monica montone entova sedução em secos cantos.Sons, noites, monica, risadas, mulheres nuas correndo, tiros e gritos eno preciso instante de uma cortante risada, eu lutava desesperadamente em varias frentes e simultaneamente. Quem se importava? que se dane, eu continuava a ouvir monica.O mundo caminhava para o seu insustentavel momento. As pessoas decoraram a cartilha universal, e repetem sempre:- Somos todos irmãos e uma unica raça.Era o momento certo de eu cair fora, depois do afago a facada, geralmente no peito, é simbolico e mata mais.A cartilha já foi soletrada em noites a fio e felizes todos ecoam as novidades.E aquele imundo gemido difamava uma realidade onde a felicidade dava as ordens. Maldito e invejoso gemido.E o gemido agora caçado aprendia a sofrer nos intervalos e soprava sua dor nas dobras das noites que sempre destruía os meus irritantes nervos.Monica ainda longe, salvava o meu dia.

26 comentários:

Luciano Fraga disse...

Caro Braga, estava corrigindo a postagem quando no exato instante você postava um comentário,inadivertidamente deletei,desculpas, abraço.

Mirse Maria disse...

Luciano, amigo querido!

Hoje acordei pensando nisso. Moro ao lado de uma delegacia. E o que mais ouço são gemidos, gritos e outras coisas que voce deve saber. Desde que vim para cá não me conformo em ouvir isto, e ao fundo, uma festa, ou algo parecido. Me queixei a um vizinho que disse: ponha um tampão nos ouvidos. Como se em minha cabeça eu esquecesse o que se passa.

Bem, passei aqui para lhe desejar um Natal de Paz e um ano Novo cheio de Realizações. Não nego que sou avessa a isto. Porque o sentido destas festas há muito já morreu. Mas cumpro o ritual.Sabendo que enquanto em todas as janelas as luzes piscam e os abraços (na maioria, falsos) acontecem, na cadeia ao lado, os gemidos se ouvem, e nas ruas os famintos estão.

Em todo caso é de coração que desejo a você,

Se esse texto não fosse seu, de quem seria? Forte, mas verdadeiro!

Parabéns, amigo!

Beijos

Mirse

Braga e Poesia disse...

não tem problemas. aqui vamos nós de novo.
agradeço ao seu gesto de postar o texto, pois seu blog tem uma penetração incrivel.
bom final de anos e esperamos o que irá ser no ano 10

guru martins disse...

...obsessão!!!...

abraço poeta

Adriana Godoy disse...

Texto porretíssimo. Muito bom mesmo. fez bem em postar aqui. Beijo, poeta querido.

Ana disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

ESQUECEU DE MIM???
POR NÃO RESPONDEU??
OU MELHOR..COMENTOU???
TA MIM DISCRIMINANDO???
QUERO RESPOSTA??
NO COMENTÁRIO ANTERIOR?
OU ENTÃO EXCLUA O COMENTARIO OK???

Luciano Fraga disse...

Mirse amiga,também concordo contigo,o clima de Natal não corresponde à realidade, ao dia a dia cruel e frio onde a indiferença é a força motriz, não passa de uma mera formalidade, assim desejo-lhes que todos os seus dias sejam de paz e harmonia, felicidade e verdade que fortaleça-se nossos laços de amizade.Tudo muito triste o que você experimenta, mas não deixa de ter sentido para a sua escrita humanista, também é importante saber que temos alguém ao lado que grita.Forte abraço.

Luciano Fraga disse...

Mirse,P.S. "fortaleçam-se nossos laços..."

Luciano Fraga disse...

Ana, este espaço é estritamente ligado aos assuntos realacionados à poesia e afins,abraço..

Luciano Fraga disse...

Braga amigo, independente de qualquer coisa, sua escrita tem lugar reservado e garantido aqui, pela qualidade e pelo respeito que cultivo por você e por ela(sua escrita), recíproca verdadeira, bom ano novo, abraço.

Luciano Fraga disse...

Guru amigo, será? Talvez seja uma tábua...Abraço.

Luciano Fraga disse...

Adriana querida,admiro bastante a forma como o Braga escreve, se expressa, assim tem cadeira cativa, abração.

PS. recebi material, muito legal e estamos correndo.

Luciano Fraga disse...

Ana, foi uma falha, não tenho aversão por ninguém, busco o respeito de todos, tento fazer a vida transcorrer com facilidade,muito embora os obstáculos surgem do nada(?)...Abraço.

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Sempre haverá alguém que nos salve num fim de qualquer coisa.

até mais.

Jota Cê

Devir disse...

É possível que haja queda de todos os muros, essa esperança não perco, e não de "afetada" liberdade. Tome como exemplo o resultado do muro de Berlin, tão assustador quanto o "chuveiro".
Acredito junto com todos que acreditam que isso não mais vai ocorrer entre os civilizados.
Que pena, não só por acreditar, que certa coisa existe.
Os gemidos graves e agudos de dor ou alegria daqueles que erraram e devem mesmo pagar por seus erros é menos grave ou aguda na dor aguda ou crônica daqueles que jamais erraram(?) e não pagam mesmo por seus acertos(?).
Luciano, perdoe-me, por tentar recuperar sua cena, distanciando rapidamente.

"E o gemido agora caçado aprendia a sofrer nos intervalos e soprava sua dor nas dobras das noites que sempre destruía os meus irritantes nervos."
Do gemido ao gesto, valente irmão.
Mas, rss, apresente-me a monica, com todo respeito, ela vai mudar.

ps. não deixe a anônima falando sozinha, ela adora jogar pedras.

Devir disse...

Ow, perdoe-me também a obsessiva participação.

Achei a foto muito significativa, mas não convém falar dela em si, então prefiro somente imaginar o que, aqueles olhos hipervivos(!) dizem sobre este presente do Ronaldo Braga para voce, Caro.

"Dois prisioneiros conversam num trem de carga a caminho de um campo de concentração nazista. O inverno se aproxima e um deles observa: “o inverno do ano que vem será terrível”. Um salto no tempo, a resposta do outro prisioneiro muito depois do término da guerra, ao se recordar da frase do companheiro da longa viagem até o campo nazista: “Foi realmente um inverno terrível, o inverno do ano que vem”.
Existe também o que se imagina e o que os personagens imaginam, o que representa o caminho do sonho em nossa vida. De quando em quando imaginamos coisas inteiramente falsas. Mas estas imagens que criamos fazem parte de nossa realidade. Devemos tentar mostrar as ligações que existem entre imagens que pertencem a realidades de níveis diferentes. O realismo não exclui a ambigüidade.
Ele se irrita com a realidade porque ela não está de acordo com seus sonhos. Ele se irrita com as pessoas que lhe dizem a verdade. Ele se irrita com as más noticias, não por causa do trabalho perdido ou pelos companheiros que morreram, mas porque elas o colocam de novo diante da realidade."
(googcola)

tania não desista disse...

luciano,luciano!

aplaudo,silenciosa,todas as cenas,tão bem escritas...
aplaudo,silenciosamente,com um sorriso de admiração,devir e você,
...por inquestionáveis momentos ...nesse seu blog ...de leituras tão convidativas e agradáveis ...em conteúdo discreto , afetuoso e sabedoria de palavras benditas!
saúde...alegria.. paz e carinho
desejo a vocês e leitores amigos

forte abraço
taniamariza

Luciano Fraga disse...

Amigos Rebeca e Jotacê, sempre haverá uma providência, um amparo, não conheço ninguém que tenha ficado pelo meio do caminho,muita paz e amor e bons fluídos para o ano que inicia, abraços.

Ana disse...

Olá LUCIANO,
Não comentei nada de mais,pelo contrario,fiz um resumo to tal gemido ok???
I tirei algunhas palavras no site do VAGALUME,achei parecido.
Oq tem de errado???
HA JÁ SEI...VC SE CHATIOU POR EU
EXPOR "LUCIANA SUA FILHA "I DAÍ???
É SÓ VC EXCLUIR.
VEJO TODOS COMENTAREM SOBRE TUDO,
I VC DEIXOU BEM CLARO QUE O ESPAÇO
ERA LIVRE..

Respondendo ao senhor Devir ..
" Todas as pedras no caminho,meu caro amigo, eu as guardo,onde no final contruo um ENORME CASTELO!"

Ruela disse...

Boas Festas Luciano!

Grande Abraço.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Devir,aquela coisa, se é que posso chamar assim(você já escreveu sobre isso-coisa), que pode ter muitos significados, mas refiro-me ao muro que tem significado ruim, caiu e com ele nasceu The Wall, que obra! Mas muitos e muitos muros tem-se erguido, com grades e cercas eletrificadas e talvez as pessoas não notem o desenvolvimento deste processo de individualidade, esta estética de fechamento e criando ambientes frívolos por trás deles chocam-se com o fantástico olhar que Saville criou, espanto, incerteza, indignação, com a podridão do dia a dia, esta obsessão é potência,cuidado com as pedras também(vide),aquele abraço.
PS.captei o texto, tudo sob controle, obrigado, outros serão necessários para os próximos números.

Luciano Fraga disse...

Tania amiga,sempre um prazer e um aprendizado dialogar com Devir, sempre instigante e sempre na dianteira, mas este espaço tem nos proporcionado bons encontros,nascido boas amizades e você é uma delas que tenho grande estima,desejo-lhes felicidades e um ano repleto de alegrias, abraço.

Luciano Fraga disse...

Ana, coloca as idéias em ordem, parecem-me tumultuadas, poesia e assuntos pessoais é uma mistura heterogênea,água+óleo,não cabem aqui neste espaço, assim encerremos este assunto, boas festas e um grande ano novo, repleto de paz e muita luz, abraço.

Luciano Fraga disse...

Ruela, desejo-lhes em dobro meu caro amigo, que venha um ano própero, criativo, que nossas parcerias intensifiquem-se, grande abraço, sucesso.

Anita Mendes disse...

lu, esse é um daqueles poemas que ficam,e como os gemidos, esse com certeza volta pra te perseguir... (como fantasmas que puxam o pé no meio da noite ,sabe?)(rs)
belo e pertubador!!! ADOREI!
beijokas, Anita.