segunda-feira, março 30, 2009

MUSAS

Musas, ilustração do livro «Vaga Lumes», Ruela, 2009


“seu sofrimento se assemelhava
ao orgasmo dos anjos...”
N. de Oliveira


Desolado,
sigo meu trajeto
pelo azul do calçamento
sem deixar vestígios,
embora meus pequenos
litígios
sejam indeléveis,
não chegam a causar
consternação,
não afligem as estrelas,
não ferem vizinhos
nem acusam igrejas,
sabem-se lá os deuses...
Com quantas pulsações
o riso mortal
avança sobre mim
com outras ânsias?
Jamais creio em mulheres
que deixam de trazer
consigo em sua natureza
um resíduo depravado
de crepúsculo,
um exíguo sinal
de precipício...



Luciano Fraga

31 comentários:

Ruela disse...

Mais um excelente poema Luciano.


Enviei hoje um livro para a Aquilária do Bar.


Abraço.


P.s. Todos estão gostando.

Luciano Fraga disse...

Valeu Ruela, obrigado, grande abraço.
Um amigo jornalista (Betinho) deverá manter contato contigo, elogiou muito suas ilustrações(por sinal,nada novo),passei teu email ok?

Adriana Godoy disse...

"Jamais creio em mulheres
que deixam de trazer
consigo em sua natureza
um resíduo depravado
de crepúsculo,
um exíguo sinal
de precipício..." Luciano, acho que você tem toda razão, sábias e poéticas palavras. Esse poema induz a pensamentos especiais, tem uma carga pesada, mas escrito de forma leve. Lindíssimo. A cada um , mais confirma a minha admiração pelo que escreve e pelo que é. Beijo.

Zana Sampaio disse...

Desolado agora sigo eu por teu poema... sigo numa imagem viva que tuas mãos construiram e numa catarse sem volta eu me perdi...

Luciano disse...

Belo e sensual poema. Me fez lembrar das mulheres com o resíduo depravado do crepúsculo, que eu conheci.
Obrigado pelo post.
Abraço de arte, Xará.

ronaldo braga disse...

já tinha lido esse poema antes.
um poema belo e cru. decidido e eleve

Guru Martins disse...

..."Jamais creio em mulheres
que deixam de trazer
consigo em sua natureza
um resíduo depravado
de crepúsculo,
um exíguo sinal
de precipício"...

muito bom, cumpadi!!!

Cosmunicando disse...

é mesmo especial o final de seu poema, de certa forma humaniza e aproxima a imagem da mulher do real em contraste com o ideal.
gostei demais também de "meus pequenos litígios indeléveis"...
muito bom!!
abraços

Nanda Assis disse...

teu post ja começa me arrepiando os pelos com a frase, e depois tantas belas palavras juntas...
adorei.

bjosss...

Luciano Fraga disse...

Adriana, fiz este poema pensando justamente no lado belo e fatal das mulheres ,admirando aquelas que tem postura e atitude, que jamais são omissas e submissas,que sejam sempre misteriosamente abismais, obrigado, beijo.

Luciano Fraga disse...

Nanda, muito obrigado, abraço.

Luciano Fraga disse...

Zana, muito bom, busca o caminho de volta, às vezes a poesia nos faz voar, abraço.

Luciano Fraga disse...

Caro Luciano(Xará), como são belas as criaturas com tal natureza, obrigado, abraço.
PS.Farei uma visita.

Luciano Fraga disse...

Braga, valeu cidadão muritibano, abraço.

Luciano Fraga disse...

Cosmunicando, com toda certeza, é o equilibrio nos contrastes e nas diferenças, abração.

Luciano Fraga disse...

Guru, você sempre leve, obrigado, abraço.

Braga e Poesia disse...

poesia para os sentidos e o espirito.

Devir disse...

Que legal
"a insustentável levesa do ser"
este poema
confirma o mandamento essencial
"não mataras"

E logo agora
nessa madrugada de despedida
de uma mulher
tão leve para o corpo
e tão pesada ao cartão de crédito

Pensei em me afogar
em inúmeros copos de cólera
ou incensar meus olhos
com uma igual porem profissional
mas escolhi a paz das palavras

Aqui estou, melhor e sempre pronto
ainda irredutível ao obscuro
objeto do desejo
e, obviamente, Luciano
inexorável aos desejos
obscuros dos objetos

Saudações

V.M.Paes disse...

"Jamais creio em mulheres
que deixam de trazer
consigo em sua natureza
um resíduo depravado
de crepúsculo,
um exíguo sinal
de precipício... "

Lindo, mesmo.

pianistaboxeador21 disse...

Fiquei com a impressão de tb já ter lido antes. É mesmo um baita poema.
Acertando como sempre,

Abraço,

Daniel

Branca disse...

O homem real à procura da mulher real!

Belo poema!

Bom fim de semana...bjo!

Camila Vardarac disse...

é no precipício que os cabelos delas voam num bater de asas da sustentação,

belíssimo, fraga!

Luciano Fraga disse...

Devir, poesia ,mandamentos do catecismo e mulheres no cartão de crédito, que miscelânia literária fabulosa, você é um figurão cara, grande abraço.

Luciano Fraga disse...

Paes, sempre muito bem vindo, obrigado , abraço.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Daniel, este poema tá no livro, Vaga Lumes, foi lá que você encontrou, já arrumou o computador, estou sentindo falta dos seus escritos, abraço.

Luciano Fraga disse...

Amiga Branca, hoje em dia tem sido pessoas reais buscando as virtuais e vice versa, não é mesmo?obrigado ,abraço.

Luciano Fraga disse...

Camila," pela sua cabeleira vermelha...Apenas apanhei na beira mar um barco para estação lunar...".

Ruela disse...

Obrigado Luciano, enviado.


Abraço.

On The Rocks disse...

auto-biografia com desfecho sublime.

buenas!

Zinaldo Velame disse...

Mais um poema danado! As palavras estão fluindo magicamente da sua cabeça, Luciano, como diria um amigo nosso: "É sem limite"! Abraço.

bat_trash disse...

Uma bela homenagem.Oxalá que muitas sintam-se retratadas nesse poema. Essa é a musa deste milênio.
Bat Kiss.