sábado, novembro 15, 2008

ESTANQUE


Sob juramento,
alimentei com palavras cruzadas
aquele olhar de tristeza
de fera passiva enjaulada
que almejava tolerante
o sangue da sua presa...
Todos sentem orgulho
da minha retidão sonolenta,
de meu manifesto cinzento,
no fundo preferem reafirmar
a fraude,
o desvio consagrado,
encontrar motivação concernente
para arremessar gestos de pesar
dentro da vida molestada
que caminha exangue
em territórios de ressentimentos.
Nada escoa de mim,
confesso,
retirei todos os drenos de santo,
sou paixão desnutrida,
prodigiosamente moribunda
ardendo estanque ao relento...


Luciano Fraga



9 comentários:

Adriana disse...

Tive que ler várias vezes para entender o significado desse belo e forte poema. E quando entendi, gostei.De verdade.

"retirei todos os drenos de santo,
sou paixão desnutrida,
prodigiosamente moribunda
ardendo estanque ao relento...". Muito bom.
Abraço. Adriana

Luciano Fraga disse...

Adriana, obrigado, abraço.

biazinha disse...

Restrataste bem a contenção do sentir. confesso que não gostaria de agir com retidão sonolenta.
Fodaço o poema, Lu!

Beijão

Luciano Fraga disse...

Biazinha, grato pela gentileza, beijo.

Marcia Barbieri disse...

Eu também tantas vezes tenho me sentido estanque ao relento...
Parabéns pela genialidade de sempre e por traduzir (meus-seus-de todos) os sentimentos do mundo.

beijos sempre ternos

Luciano Fraga disse...

Márcia querida, vindo de você é confortável,revigorante, muito obrigado pela força, beijo.

ronaldo braga disse...

retirei todos os drenos de santo,
sou paixão desnutrida,
prodigiosamente moribunda
ardendo estanque ao relento...".
adriana disse tudo, um poema pra ser lido mais de uma vez.

Zinaldo Velame disse...

Bom demais, Luciano! Concordo com Ronaldo e Adriana, devemos lê-lo várias vezes. Abraço, poeta!

pianistaboxeador21 disse...

Muito bom, cara.

daniel