sábado, setembro 11, 2010


INDOLOR

" no momento, fidalgo em campo estéril e céu áspero..."
A. Rimbaud


Um poema cabe em mim,
cabe em você,
numa caixa de fósfóros
pode caber
nos lugares mais estranhos,
até mesmo em minhas
entranhas...
Cabe num dente cariado,
nas frestas de um telhado,
num local inanimado
ou até mesmo incolor...
Um poema cabe
no oco de um viciado
e numa ferida indolor...
Um poema sempre caberá;
não apenas onde
existir a dor...





Luciano Fraga

24 comentários:

Devir disse...

Bom dia, este poema, não devido às rimas e arrumação ideológica, saiu quase totalmente de dentro de voce, caro amigo, Luciano, como não se deve guardar coca cola aberta na latinha, ou na geladeira aberta, tanto faz, em se tratando de poesia, que não é mágica, mas para sobreviver, precisou se apossar da magia; besta é quem acredita. Eu conversei muito com o saudoso Plínio Marcos, no Largo do Café, entrocamento de ruas centrais em São Paulo, que já dizia a pouco, antes de acordar para a "realidade": "Preste atenção nas coisas, ou nas partes de cada coisa, que realmente são absolutas. Tudo acontece em torno dos absolutos, e o melhor exemplo é o sol, se voce, Titão, olhar muito tempo, com olhos nus, fica cego".

Adriana Godoy disse...

Luciano, o poema cabe em quem tem sensibilidade, em quem percebe o imponderável nas coisas mais simples ou complexas da vida. Assim é você, com a alma à flor da pele, com um vulcão pronto pra explodir em flores ou em fel.

Belíssimo poema. Beijão.

Mirze Souza disse...

Sigo a trilha da Godoy!

Você, meu amigo, poeta de primeira, que nos emociona sempre!

Esse poema de hoje é seu auto-retrato!

Belíssimo!

Beijos, poeta!

Mirze

Ana disse...

Olá poeta aventureiro,

Por não ter uma árvore
onde gravar teu nome,
com fumaça o escrevi no espaço.
E com graciosidade ele percorreu
os cantos da minha cidade,
como num conto de fadas...cheio
de "liberdade".
"Vejo vc em todo lugar,oande
quer que eu vá".

Deveria estar aqui,para dividir
o sorriso com alguem que vai estar
a tua ESPERA.
A distancia aumenta a lembrança,
a vontade de ver o brilho de teu
OLHAR.
' Poeta tu és livre,o seu sonho
não pode ser vendido,nem o amor, comprado.
E que venha o poema...com ou sem
aventura.

Até sempre...
abçss,

Ana Lgo.

ronaldo braga disse...

poema devir cruel da inoperancia, devir sem esperança, poema devir morrer. poesia antes necessidade de explosão interior.
e esse poema cabe com exatidão nos esconderijos humanos.

heraldo disse...

Caro poeta,
Esse poema possui duas dimensões: a primeira refere-se ao "alcance" de um poema, que diga-se de passagem, é amplo. O segundo é percepção de que o "alcance" é determinado pelo poeta e pelas pessoas que o lêem. Gostaria de citar dois exemplos de poemas em que os poetas dizem porque fazem versos e onde eles cabem:

Florbela Espanca no poema tortura do Livro das Mágoas:
"...Quem me dera encontrar o verso puro,

O verso altivo e forte, estranho e duro,

Que dissesse, a chorar, isto que sinto..."

Manuel Bandeira, poema desencanto:

"..E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre"

Apesar disso "..Um poema sempre caberá;
não apenas onde
existir a dor"

Abraços

Heraldo

BAR DO BARDO disse...

... não tem cabimento, mas cabe.

Mutcho bom texto, Lu!

Ribeiro Pedreira disse...

teu poema não cabe em si, nobre poeta!!!

Devir disse...

Vê-se que andam a sintetizar
a poesia ao poema escrito, ainda, ou, "cruel",
os poemas aos autores, e
convocam anjos e demônios, para pelejas da vaidade.

Se um poema "explode" das entranhas
do ser animado, é porque lá não "cabia", óbvio, e querer o sentido oposto, conter o poema, ou, por vaidade(!), a explosão, é pura excitação particular, ou mera diversão; uma forma narcisonanista do ser.

"Mas eis que, enquanto de século em século se travava o combate entre o mago e o filósofo, entre o curandeiro e o médico, um terceiro combatente chamado poeta ontinuava se oposição alguma uma tarefa estranhamente análoga `atividade mágica primitiva. A aparente diferença entre ele e mago (fato queo salou da extinção) era um não aparente desinteresse, o fato de proceder "por amor à arte", por nada, por um punhado de formosos frutos, inofensivos e consoladores: beleza, louvor, catarse, alegria, comemoração."

Devir disse...

Ah, esqueci de dizer, meu teclado está em apuros, não consegue manter a norma; às vezes quer uma letra que não serve, outras não quer nenhuma letra.

Um poema elogio:

VIDA HONESTA

Flor bela
espanca

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Devir,a força que nos impulsiona a continuar vivendo é a certeza de que nada sabemos e nessa caldeira o vapor da autocrítica exerce toda pressão e se não cuidarmos explodimos em vaidades e o tal do ego infla...Jamais buscarei conceituar ou dar maiores significados às coisas que escrevo ou tento alinhavar, pois não estão nem um ponto além de mim e de minhas agulhas tortas, sou avesso ás badalações, sou apenas um quieto irrequieto comigo mesmo, entende? Somos que nem jogadores velhos a mente pensa e o teclado publica o que quer(rs),aguardo a vlota do Devir- Antes dos nomes, abraço mestre.

Luciano Fraga disse...

Adriana, explodir em flores à "flor da pele...", grande beijo.

Luciano Fraga disse...

Mirse amiga, bem que gostaria, mas a poesia é infinitamente maior, abração.

Luciano Fraga disse...

Ana, isso aí mesmo , o poema sempre seguirá, penetrando nas mais ínfimas frestas que nem mesmo a poeira consigue entrar, abraço.

Devir disse...

Sim, "velhos" perto dos "adultos", que agem quais crianças pós modernas, sequer vão à "escola"; tirante quando os "pais" obrigam. Mas somos bons alunos, e isso sim nos "impulsiona...

Voce não está conseguindo acessar ao que restou do devir.antes dos nomes]

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Devir, verdadeiramente "assassinos" de inimigos virtuais,pequeninos seres mimados...Enquanto cuidamos de matar o "monstro que emrege da lagoa",enquanto vovó faz tricô, abraço.

Luciano Fraga disse...

Braga, nos lugares mais esconsos, mas que possa palpitar com suavidade, abraço.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Heraldo, a poesia ainda é o local com maiores possibilidades de provocar o encontro do homem, definitivamente com o humano... Abraço.

Luciano Fraga disse...

Bardo amigo, "não tem cabimento", "não tem pé nem cabeça", mas anda e incomoda, forte abraço.

Luciano Fraga disse...

Ribeiro amigo, realmente não cabe em nós, ele é incomensurável, infinito...Abraço.

Anônimo disse...

Realmente, acho que vou desistir, ontem fiz tudo como manda o figurino[!], abri nova conta na google, email, e hoje faria um novo blog, mas... de nada valeu.
Detalhe: anotei todas informações, então nada esqueci!

Depois da minha mãe, só restava um tio, da geração anterior, morreu esta noite, de câncer. Da geração atual, havia um primo muito sábio, certa noite apareceram dois homens e deram um tiro na nuca dele, até hoje não sabem o motivo e nem quem eram os assassinos.

Então, a tão vida de gado nao é mentira, nem ficção.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo , ou não consigo localizar, ou sou muito burro nesse campo mesmo, prefiro a segunda opção, amanhã prometo recorrer à um amigo "cobra" nisso e acharei. Triste notícia amigo,nunca é facil.Aqui do meu lado, por parte de pai também não existe nenhum, a vida de gado é muito real e cruel mesmo!
Ontem li uma frase oriunda de 68:
"Existe um cemitério onde enterramos nossas utopias?"
Apenas para nossas reflexões, deixo bem claro que nehuma relação com sua recente perda, forte abraço com uma força.

Ruela disse...

Muito belo!

Abraço.

Anônimo disse...

Confesso: é muito difícil acreditar que sua "banda" NÃO CAUSOU O FIM DO DEVIR. Assim como também me é suposto delírio crer que a google se importa comigo. E tremendamente insupotável pensar que seja a minha banda, filho, irmãos e amigos[as] destes.
Um grande impasse provocador de renúncia total da própria vida!!!

Ah, suas palavras faz o deleite de sua banda, assim como neste caso, quando "utopia" faz a vez de adjetivo, exatamente qual dizia o sistema ditador daquela época.

Ficar sem voce e sua banda é mole, ficar sem meu filho e sua banda é duro, mas ficar sem a banda, o real então atualmente encabeçada pela internet é impossível.

Enfim, assumo a condição de 'patinho feio', sisninho feio, qualquer bichinho feio.

Quando vejo 'seres humanos!', acho que não podia ser outro animal, mentindo descaradamente no horário político 'patrocinado pela democracia brasileira, sequer fico perplexo, isso já virou padrão de convivência na 'realidade'; dentro e fora da virtualidade geral[!], com ou sem intimidade.

Utopia disse para Quimera:
- Voce pensa que não sou real, mas tá enganada.
Quimera responde:
- Eu não disse nada, mas tão ao contrário de mim, voce nunca acontece.
Acontecimeno interveem:
- Não discutam pela mera Merda, isso sequer é caso da Polícia.
Polícia se incomoda:
- Utopia na cadeia, Acontecimento é fato apenas, Quimera sai andando e morte a Merda.