quinta-feira, agosto 26, 2010


PEQUENAS CONFABULAÇÕES




É quando o desejo
perambula
por corredores e corredores
em clausura,
que um terror galvanizado
crispa com rispidez o repouso
e enferruja
a clareza dos meus olhos
em vendas...
E o que seria o reverso
desse muro em sombras
senão a fé
de mil templos
de que nada existe
na outra face
do escuro?
Seria como um prisioneiro
sabendo
que um arco-íris de pedras
ruiu
e não sentir o desejo
de expiar...





Luciano Fraga

16 comentários:

Anônimo disse...

Cara,antes do arco íris de pedras terá uma esquina e quando dobrar você irá encontrar a sua sombra de cachorro velho,Manoel das cRuzes deixa um abraço.kkkk.

Ribeiro Pedreira disse...

a escuridão do silêncio desencontra o lado de lá das pedras sobrepostas. vale a expiação.
abraço, meu caro amigo!

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Anônimo, gosto mesmo desse jeito que me tratas como gente...ABRAÇO.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Ribeiro,vamos removendo cuidadosamente cada pedra...Expiar para libertar, abraço.

Anônimo disse...

A saudade já bastaria para ruir
in the wall
mas não é só saudade, caro
veja isso aqui
:
Adolescente, vertigem e abismo, meu caro, Luciano Fraga, são substâncias realmente cara para nós.
Jamais minto, pelo menos quando estou consciente (com ciência) do processo deste rio, às vezes cristalino, mas também outras caudaloso, logo após inundações inevitáveis do real demasiadamente real, em nossas vidas tão inadjetiváveis, então, repetindo, jamais minto, escrevi este post/recado para alguém também muitíssima cara para mim, e já sabia, portanto, que tão certo também lhe tocaria, como a uma notícia de que estou necessariamente precisando de ombros verdadeiramente amigos(as).
É muito bom quando atendemos nossas invioláveis entidades épicas. Aquelas confusas e destemidas potências que não se envolvem na rss e não desce ralo abaixo.

É isso aí, arroga-se a mostrar o que voce tem de melhor, porque as pequenas vilanias se nutrem exatamente da fraqueza, apenas justificável (se) quando anfitriã, na medida exata deste TERMO SAGRADO.

Forte abraço

10:41:00

Adriana Godoy disse...

Luciano, o que seria de nós se soubéssemos o que vem com a morte? É só o fim? É só o começo? É o nada absoluto?

Um dos poemas de que mais gostei. Lindíssimo. Beijo, meu poeta!

Luciano Fraga disse...

Caro e saudoso amigo, estarei sempre à espera, nunca à espreita, todas as substâncias raras para nosso caminhar e aprender e apreender, agarro-as.Assim rios calmos e caudalosos, outros furiosos em suas enchentes de lágrimas e estragos, derrocadas e pedras, muitas pedras ainda por rolar e por-vir, mas tão leves quanto um intocável arco- íris que sentimos tão perto, abraçamos.E faremos tudo tão calmo quanto uma nuvem em queda num "ocaso extremamente lilás". Não conte nem até três, nem até um, apenas conte, conte sempre,COMIGO. Força irmão, muita força, abraço fraternal.

Luciano Fraga disse...

Adriana querida poeta, questões que não calam e inquietam mesmo.Obrigado sempre por sua amizade, beijo.

Anônimo disse...

Rss, milênios após Heráclito
ainda nos forçam às crenças
; mas os rios
não sempre os mesmos.

A morte, quando nem mesm a deusa
não sabe porque apoia
é sinal do impensável
portanto, muito relevante

Como quem se quer poeta [levemente]
Como quem se quer nada [do lar]
[rápido e brutal]
mas não como voces de todo mundo

Odiamos os animais [promíscuos, ui]
e os carecemos nas horas ou eternidades vasias
para amarmos quase como
inveja; são tão iguais em fome

Luciano, esperamos [juntos] godot
AGod, ela, sempre só e se for agora

Ana disse...

Luciano,

Em seu olhar,o brilho das estrelas.
Atras de nossos Murus,pedras e sombras..existe a tal esperada LUZ.

PS:olhar a negatividade de frente
é bom...mais não a TOQUE.

abçs,

Até sempre...

Ana lgo.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Anônimo,vivemos, experimentamos e se prestarmos atenção, talvez a gente consiga compreender a morte maior através das pequeninas e várias mortes diárias, nossos pequenos suicídios, assassinatos que cometem contra nós e aqueles que também cometemos.Nossa grande deusa e poeta será sempre relevante e digna de nossa contemplação. Continuarei esperando, na certeza de que ELE(A) virá e será um encontro frutífero, repleto de pleno gozo, diferentemente do nosso querido Godot que aplicou o placar mínimo e até a eternidade, manterá aquele um a zero...(rs) e ficará na retranca.Aguardo na certeza que romperemos o ferrolho, forte abraço.

Luciano Fraga disse...

Ana, diziam que no fim do tunel tinha uma luz, e no final "era um olho de gato..." Mas aguardamos e tocaremos, abraço.

Anônimo disse...

Gatos não odeiam os espelhos, tão somente não precisam. Expiar e tocar, sem esquecer que somos humanos, sempre, a escolher, demasiadamente humano.
Peço, rss, licença, para postar em seu espaço virtual, um comentário que fiz na revista Cult n149, para que este gosto não permaneça assim tão fechado.

#
José Expedito dos Santos |
01/09/2010

[Seu comentário está aguardando moderação.]

Uhm, forte gosto de sobremesa e a despedida impensável. Relaxem, gradiadores, atualmente em todos os gêneros e classes. Refiro-me apenas ao alimento diário, rotina. Sou gladiado, atualmente por opção, só para zoar.
“A fronteira fixa, porém aberta, dos gregos é substituída pela fronteira móvel, mas fechada, dos romanos.”
Muito interessante descer do céu, atravessar o inferno, sem cordas para se enforcar, sem correntes para “medidas de emergência”, nem poemas para inventar “mili umas noites”.
“Se você não se fizer nem de imperador nem de patrício, logo começará a reconhecer os perigos e dificuldades para sobreviver ao sistema de exclusão interna no qual o conflito escolar administrado se transformou.”
Não é à toa que dizem, a melhor escola é a vida, e também, a vida não é cinema. Onde não entendo porque os regulamentos e conivências, que perfazem a realidade da educação, subsiste na internet, aqui e acolá.
“As alegorias lacanianas são sempre em torno de nossa arena pessoal, de nosso Coliseu privado, no qual é preciso lutar em várias frentes, escolher a quem impressionar e trocar de lugar do público com o gladiador, do mártir com a besta fera. Ou seja, nossos gladiadores estão sendo bem treinados e os valores que temos aqui são banais, devolvidos em espelho ideológico, na forma do fetichismo ordinário da mercadoria, na prevalência da moral do espetáculo, na lógica da segregação, no cinismo de resultados.”
Christian Dunker, perdoe-me, mas, tão somente devido às parcas forças físicas e ou materiais, vou aguardar em silêncio, se me deixarem, o desenrolar de hábia manutenção da ironia; arma que não permite zoar no lugar de gozar. Um excelente brinde à Nietzsche.

#

Lembra do "quebrar o espelho"]
Forte e grande abraço, meu caro.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Anônimo, como Rimbaud passou uma temporada no inferno e foi até as iluminações e não escapou ileso, quem escapa? Exercitamos e inventamos, somos palco e somos espectadores e o desejo é libertação e ânsia elucidativa do que é a realidade, a minha e a sua... Será que a minha realidade faz parte da sua fronteira ou vice versa ou cada ser tem e cria sua propria realidade e nela se sustenta e sobrevive? Para libertar um prisioneiro é preciso invenção, descobrimentos e por quem será ensinado esse processo de isca e anzol? Como dizia Bandeira: " que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte? O que eu vejo é o beco",não é o meu espelho que está sujo ou quebrado,devo prestar mais atenção aos reflexos,Forte abraço amigo.

Anônimo disse...

Ok, eu não sei o que é fronteiras, onde colocam fronteiras, o mundo já foi meu, dizem todos, com raríssimas excessões, que não é mais real, paciência.
Já não tenho mais janelas, portas, muros paliativos, para olhar o mundo real, as pessoas, suas ideias e comportamentos, expiar, tocar, levar dedo à boca, e claro ver voce entre voces em festa cantano agindo quase sendo beth midley-hocus pocus-i put a spell on you, é sempre mais sábio nem ver qual é o adjetivo que as pessoas vestem, para evitar o virtualismo da própria nudez, mas pensando bem

guru martins disse...

...a esperança
é a penúltima
que morre...

abraço