domingo, janeiro 10, 2010

A POESIA DE ANITA MENDES


ÍMPETO


A violência personificada
seria um travesti
à margem da sua própria
incompatibilidade.
Podemos fazer o que queremos
mas nem sempre
o que se pode será.
O que se canaliza
se torna arte,o que não;
forma-se em desastre.
Transformação
é o que se adquire.
Essência constitui-se
de tudo aquilo
que não pode
ser descondensado
num perfume
porém, o mais difícil
disso tudo é entender
porque as borboletas
realizam metamorfoses
e nós apenas dissimulamos.





por Anita Mendes

20 comentários:

Ana disse...

Olá Anita,
"É melhor ser uma metamorfose
ambulante do que ter aquela
velha opinâo formada sobre
TUDO".
Adorei o texto.
Abraços
Ana Lag.

Ana disse...

Valeu Luciano,
Por publicar texto assim...
Talvez essa borboleta,esteja em fase de desenvolvimento até completar o seu vôo.
I assim continuar o ciclo da vida.
Abçs
Ana Lg.

Anita Mendes disse...

lulu, já estou de volta na área cibernética! Que honra voltar e ver uma poesia minha no teu blog! Obrigada por tudo, grande lu!
Ps 1: Saiu tudo bem! coloquei fotos no orkut postarei no blog depois...
beijokas, Anita.
Ps2:Ana, metamorfose sempre!
Beijos, Anita.

Mirse Maria disse...

Adorei a poesia de Anita!

Direta na chaga!

Nós somos dissimulados, sim! Mesmo sem querer, é quase uma capa protetora!

Obrigada Luciano por esta oportunidade!

Forte abraço, amigo!

Anita, Parabéns

Beijos

Mirse

ronaldo braga disse...

anita mendes sua poesia é grande.
uma desconstrução do cotidiano revelando uma pequenez na alma humana cada ves mais pequena, mas por outro lado é assim mesmo a maioria dos seres humanos dissimulam e uma minoria tenta ser indiferente e ir pra qualquer lugar inclusive pra trás, pros lados.
enquanto isso todas as borboletas realizam metarmofose.
é isso somos um nada perdido na busca do tudo.

guru martins disse...

...cada um
é o que é
e tem que
lhe dar
com a realidade
da maneira
em que ela
se apresenta...

aquele abraço

BAR DO BARDO disse...

Gostei, Anita!
Boa sorte!

Devir disse...

Realmente um grande desastre, que talvez, o humano-mãe se aproxima.
Tentem pensar uma borboleta que de repente não queria ter sua própria natureza, ou que não tem o poder de se desnaturalizar quando em sua fase lagarta; horrível, como uma mãe que não enxerga sua natureza na natureza de sua cria.
Vendo atraves deste quadro dantesco, as metamorfoses(mutações) é mais que um ideal de vida, é uma necessidade.
A dialética absoluta da necessidade de liberdade!

Ah, Anita, belíssima poeta.

Luciano, certeiro, as grandes dúvidas geram ação!!!

Devir disse...

Mas dasastres, visto como a metamorfose necessária, é o que vive muitos de nós, ás vezes a todo momento, conscientes ou inconscientes.

Repare que grande sintonia entre nós, pelo menos posso dizer com segurança, eu, voce e, oportunamente, a Anita, tomando o meu último post, este poema dela e seu comentário lá.

Nas palavras da revista Contracampo, sobre o protagonista do superoutro e o diretor:

"Bertrand Duarte (genial!) é um mendigo de rua cuja missão é voar. A metáfora vem em favor das dificuldades nacionais, mas Navarro não encerra o espaço dramático sob a dimensão política. Ele nos dá também a dimensão individual do personagem, um sujeito à margem que deseja se integrar, não se entregar. Ele quer integração mas, antes, exige mudanças. Num dado momento, o superoutro acha 500 cruzados e troca por uma cesta de tangerinas. O feirante diz "pô, tu é otário mesmo, trocar 500 cruzados por uma cesta de mexericas...", no que o superoutro responde: "para quê que eu vou querer saber de tudo. O dia que eu souber de tudo eu não vou querer saber mais de nada." Seu nível de exigência é invisível aos olhos do povo e o superoutro prossegue em sua saga, sedento por sensações e questionando tudo o que vê pela frente.

A loucura do superoutro funciona como antítese da normalidade, do bom comportamento, mas acaba revelando o lado sujo, hipócrita e mendigo dessa suposta normalidade. Sua lucidez o permite descobrir o mundo através de um filtro de experiências radicais (experiências geralmente ligadas à falta de alguma coisa que o superoutro compensa com sua sabedoria). Ele chega ao ateísmo por vias muito pouco ortodoxas, devorando um ebó enquanto repete a frase de A Idade da Terra, "meu pai me abandonou, o pássaro da eternidade não existe". Descobre o sexo num lixão, através de uma revista de sacanagem que muda sua vida. Sobe na árvore e, sem cerimônia, grita como o tio louco de Amarcord: "quero uma mulher! quero uma mulher!" Toda experiência é um sintoma e uma redenção: nosso herói não faz concessão... a menos que esta lhe seja útil."

Reflitam: o maior recurso estratégico do Brasil é o brasileiro, sempre capaz de acordar diante de "desastres".

Salve a todos

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Devir, arrepiante as colocações, comprei este DVD ,pois vale muito a pena refeltir com as cenas constantes,durante as comemorações de 25 anos de filmagem estive no Cine Glauber Rocha em Salvador e pude conhecer o Bertrand e o próprio Navarro, para nossa alegria o Clemência fez a partida preliminar, numa noite inesquecível de cinema. O que tenho a dizer: a frase que o personagem de Bertrand abre o filme em plena madrugada da capital soteropolitana: "acorda humanidade, acorda humanidade".Grande coincidência e sintonia, a poesia de Anita é mágica mesmo, metamorfoseante, grande abraço.

Luciano Fraga disse...

Ana, a vida é roda gigante viva, mesmo, abraço.

Luciano Fraga disse...

Anita, sua poesia tem espaço especial por aqui, sempre, disponha, sucesso, beijo.

Luciano Fraga disse...

Mirse amiga, que caiam as máscaras, não é mesmo? a poesia de Anita refletiu bem esta capa que os seres humanos transportam como disfarce,grande abraço.

Luciano Fraga disse...

Braga, figuras dissimuladas, disfarçadas, fazem parte da paisagem, deserta de ética e dignidade, principalmente nos meios políticos e muita gente mantem´se indiferente, como se nada estivesse acontecendo, de papo pro ar, esperando que o outro lute... abraço.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Guru, realmente as coisas são como elas são e pessoalmente também tenho sido cético quanto ao acontecimento de algo grande que venha interferir no geral, no sistema,assim as transformações acontecem num âmbito individual, abraço.

Luciano Fraga disse...

Bardo amigo, gostamos! Grande abraço.

Devir disse...

Metamorfose

...Lembro-me de uma manhã em que eu havia descoberto um casulo na casca de uma árvore, no momento em que a borboleta rompia o invólucro e se preparava para sair.
Esperei bastante tempo, mas estava demorando muito e eu estava com pressa.
Irritado, curvei-me e comecei a esquentá-lo com meu hálito.
Eu o esquentava, impaciente e o milagre começou a acontecer diante de mim, a um ritmo mais rápido que o natural.
O invólucro se abriu, a borboleta saiu se arrastando e nunca hei de esquecer o horror que senti então: suas asas ainda não estavam abertas e com todo o seu corpinho que tremia, ela se esforçava para desdobrá-las.
Curvando por cima dela, eu a ajudava com o meu hálito, em vão. Era necessária uma paciente maturação,o desenrolar das asas devia ser feito lentamente ao sol; agora era tarde demais.
Meu sopro obrigara a borboleta a se mostrar toda amarrotada antes do tempo.
Ela se agitou desesperada e alguns segundos depois, morreu na palma da minha mão.
Aquele pequeno cadáver é, eu acho, o peso maior que tenho na consciência.
Pois, hoje, entendo bem isto: é um pecado mortal forçar as grandes leis.
Temos que não nos apressar, não ficarmos impacientes, seguir com confiança e ritmo eterno.
(Nikos Kazantzaki)

Grande confiança, emoção e coragem

Luciano Fraga disse...

Devir amigo, mais uma vez agradeço este presente,três palavras chave, o que digo: será o próximo post, forte abraço.

Vinícius Paes disse...

Ah, qualquer poesia de Anita Mendes é um consolo para almas inquietas. E você escolheu justo uma das mais brilhantes.

Um abraço, amigo.

Luciano Fraga disse...

Vinicius amigo,realmente sempre irrequieta...Abraço.