sexta-feira, novembro 28, 2008

ruela-http://neoartes.blogspot.com/



CERTO AR ESTRANHO


Respiro o intangível,

o abrangente e sacro

som do clarinete.

Respiro a especulação

o colapso, as anomalias...

Respiro a repugnância das decisões

dos dias e das noites nuas;

respiro a multiplicidade,

o desvio,o cintilar

hemorrágico da heroína...

Respiro a vigília,

a golfada débil da incerteza

do retorno de quem precisa ir.

Aspiro amenidades,

alívios passageiros;

vou de encontro ao sutil

no coração do cosmo

para respirar o último recurso

do amor que afundou...

Ah! Como queria respirar o ar

da intimidade da natureza pura,

a calmaria da alma madura

do nada de ser Um;

mas minha mente vadia

não silencia e não faz psiu...


Luciano Fraga


14 comentários:

Adriana disse...

Respiro a sua poesia e minha mente, embora vadia, torna-se melhor.

Mui belo seu poema. Beijo.

Ps: Obrigada por você me linkar.

Braga e Poesia disse...

caro fraga acabei de postar um poema que parece que é irmão desse seu poema.
estamos em algum lugar interligados.

Luciano Fraga disse...

Adriana, grato a você por nos proporcionar bons ares,com sua VOZ, beijo.

Luciano Fraga disse...

Braga, estamos na mesma levada, interconectados de toda forma, esta conexão é inevitável, grande abraço.
E o filme?

Assis de Mello disse...

Luciano,
Obrigado por sua visita ao meu blog e pelo comentário. Estou gostando muito deste seu canto aqui. Seus poemas são fortes e contundentes, algo beat.
Também sou fã do Elomar, tenho todos os seus discos. Uma vez, em 96, passei por Conquista e estive com ele. Um homem com uma obra como a dele é quase que inconcebível. Fenomenal.
Estou te linkando
Um abraço,
Chico

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Assis,Elomar realmente é único e mestre, lançou um livro há pouco,vejo que temos algo em comum, lógico, também estarei te linkando,grande abraço.

pianistaboxeador21 disse...

Luciano, a respiração éo ato fundamental da condição de estarmos vivos.E vc respira poesia meu velho. E minha alma tb não faz psiu.

Abração e força,

Dañiel

Guru Martins disse...

...Pô cumpadre,
muito bom tudo por aqui.
Densidade, velocidade
agilidade, coloquialidade
fazendo com que textos
grandes se tornem prazerosos
de se ler, cheios de armadilhas...
Vai ser um prazer te endereçar
no Balaio também e vamos batendo
essa bolinha...

aquele abraço

Ca:mila disse...

muito bom esse poema corrosivo. ácido ácido.

Marcia Barbieri disse...

Como sempre,nessa regra não tem exceção, seus poemas são sempre porradas e me identifico com eles,o cintilar hemorrágico da heroína,belíssimo.

beijos ternos

Barone disse...

Belo poema.
Gostaria de participar do Poema Dia?

Luciano Fraga disse...

Caro Barone, tenho interesse sim,preciso apenas conhecer o Poema Dia e suas regras, obrigado, abraço.

Ruela disse...

Muito bom Luciano, espero que esteja td bem por aí.

Abraço.

heraldo disse...

Parece que toda confusão mental está contida nesse poema.Uma busca, em aparência, interminável pela aproximação da natureza mais pura.
Além de me identificar com a temática dos poemas, admiro a maneira objetiva e contudente com que os versos abordam temas de natureza complexa.

Esse poema os remete"Variações de um cachorro velho", quando diz: "...tentando morder o rabo roído
em ciclos intermináveis
de renascer e morrer..."

Abraços,

Heraldo