sexta-feira, março 14, 2008

TEOREMA

“... se tá puto,quebre... use sua chance...”
Lenine


Pra começar,
permaneça calado,
não em silêncio,
como os mortos,
isso soou
como um aviso prévio,
para um ladrão de praças
que mastiga arrependimentos,
pela perda do tempo
cronometrado,
desperdiçando a chance
da última escapada.
Sonhei!
No centro de Xangai
a poesia
come solta
na leveza
dos guardanapos
que escrevo à lápis,
pois tenho fobia
às tintas e penas,
às coisas fixas,
aos teoremas
e quando penso em apagá-las
meus pulmões sujos
perdem a classe,
ainda mais a destreza
para dizer ah!
Quando estou acuado,
folheio livros,
abordo a noite
que tanto fez
para manter-me vivo
sob seu jugo
como uma presa fácil,
foi aceitar meu erro,
agora,
tanto faz...
Nesse momento,
não abro mais o zíper
para bater na tua face esquálida,
nem carrego aquela fobia
pelas tintas vivas
do passado.
Assim,
posso refazer as malas
e partir
sem tua maldita presença
ao meu lado.
Para quem sempre engoliu
calado,
a impossibilidade do nunca
chegou bem adiantado...


Luciano Fraga

2 comentários:

ronaldo braga disse...

escrevi um comentário e sumiu.
mas é bem assim:
em luciano o discurso estetico, ao lado do discurso poetico, nos coloca diante do chamado etico e tambem nos diz que a critica não mais totalizante agora nos apresenta um mundo paradoxal, sem mais a preswença da dialetica e onde um silencio não mudo pede a nós um observar transformador, sendo(nós) agora não mais somente sujeito mais objeto observador e observado

Cafundó disse...

De lenhar!
Adorei!