quinta-feira, fevereiro 21, 2008

a poesia de Fabricia Miranda

A valsa dos meus vestidos
ou
Medéia: a noiva premonitória
a Carino Gama
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Eu já não sou a que suspende os vestidos
e já nem sei se os tenho alinhados
para as minhas bodas.

...
Não quero mais sair de tua casa
e plantei um girassol
onde o vento é mais ameno.
Meus pressentimentos murcharam no seco
dos teus lamentos
e a fruta que guardava
escondida no côncavo da mãos.

De mim, fiz o que querias
Mas veio junto outra parte daquilo que juntei
entre os dedos.
Por isso, tenho esse jeito de olhar
adiante do que existe.

Passei o meu tempo
a fiar anjos que te protejam
nas canções que aprendi com minha avó
e com todas as noivas que vieram antes dela.
...
Eu já não sou a que suspende os vestidos
e já nem sei se ainda os tenho alinhados
para as minhas bodas.


FABRICIA MIRANDA

2 comentários:

Nelson Magalhães Filho disse...

Fabrícia é uma de nossa grandes poetas da nova literatura bahiana.

Fulana Miranda disse...

Brigada pelo elogio!!
Brigada, Luciano e Nelson!!

Abraços