segunda-feira, outubro 01, 2007


MULHERES, 2006, mista s/ papel, 70X50 cm

Nelson Magalhães Filho



URROS MELÓDICOS




Revoadas insidiosas
tropeçam aleatoriamente
em meus neurônios,
anestesiando-os..
Os pólipos dos pedintes
doem,doem
cada vez que ouvem
não.
Com a mão decepada
estendida no colo
podo as unhas
das rapinas
sobre recifes
que esmagam ondas.
Que pena!
Onde anda a cura?
Recôndito
tento untar
com aguardente
as asas dos sovinas
que viram a cara...
Atritos
entre dois corpos
de pólos opostos
contraem músculos
esmolambados.
Adúlteras esmurradas
capricham
em seus naufrágios
com tamanha autenticidade
que enfezam
armas
brancas
oscilantes na órbita
do luar
sem hesitar
diante de um zumbido
qualquer de vespa
que possa ripostar
a sanha da estocada
no coração entubado...
Desde então
minha disritmia
está domada,
os maus presságios
traidores
estão dissolvidos
assim,
meus desejos puros
voltaram
a cantar hinos
mudos
num silencio que rói...


Luciano Fraga




2 comentários:

anjobaldio disse...

Buenas LF, o velho silêncio corroendo nossa dor antes do grito-animal decisivo.

TARCISIO disse...

buenas, só hoje que descobri o seu blog. massa! o pecado supremo é ser raso de espírito, já dizia osacr wilde. buenas ts.