terça-feira, setembro 25, 2007

DEPOIMENTO




E verdade seu moço
o peso era grande
meu corpo doía que nem punhalada
e eu me afogava num poço sem fim.
Os calos queimavam-me as mãos
mas eu não desistia
dançava na brasa olhando pro sol.
Sabe, moço
eu digeria todos os punhais
e a dor era tanta
que eu cuspia poemas.
Tentava cantar
que nem ave vadia
só assim, para mim
os punhais eram flores
e eu não morria de dor.






ALEM DA NOITE


Da luz escapar réstia de sombra
Reflexo auroras violadas
Em meio incandescência letal.
Ébrio encanto no tempo
fugitivo ventos noturnos
deita horizonte vazio.
Pingos de chuva sonhos velho eremita
sobre retinas feridas, sedentas
mais nobre seres humanos.
Multidão aflita flerta
tiros buques de flores
escapam restos amor
ironizando espírito do mal.
Luz, luz.



Luis Carlos Mendes (Japônes)


3 comentários:

Nelson Magalhães Filho disse...

O velho "Japonês" destilando seus versos endiabrados. Muito bom.

ronaldo braga disse...

a luz pode ser o grande mal.a luz ptra mim é a morte das esperanças.
eu prefiro as trevas.

luciano fraga disse...

O que o retorno de um poeta pode causar:indignação,polêmicas.A poesia é realmente mágica.Luz, trevas,penumbras,tudo infinitamente vazio de tudo que é...