segunda-feira, maio 24, 2010

Lucien Freud

DE SACO CHEIO


“... De tarde um dom de latas velhas se atraca em meu olho...”

M. de Barros


Tudo insosso,

nem banzo nem euforia
no corpo
da casa 22.
Alforria sim,
é poder
guiar o pêndulo,
a invisível roda
no instante mais abismal;
encontrar prantos,
pratos feitos,
sorrisos adornados,
lampejos e goles,
lábios para cruzar...
Quando zumbia a cautela
pelas frestas sinistras
das chaminés,
um velho resmungava de cócoras

e suplicava para
as galáxias:
salpica-me!
com a sorte,
traguem-me pelos pés...
Dá-me a bebida,
o enxofre,
um convés,
uns trapos,
um barraco
em que possa enfiar
os meus restos mortais.
Assoprem-me nos ouvidos
uma melodia plena
de contrastes,
com sotaque humanista
onde eu possa repousar
recoberto de moscas...



Luciano Fraga

17 comentários:

Ribeiro Pedreira disse...

Dai-me a verdadeira paz que os vermes encerram.
Aparecerei à rua D, 134, da inocoop ainda nesta semana que se inicia.
Abraço.

Douglas Vieira disse...

Tudo é só um "fantasiado" de esperanças que não tem esperança.

Ou, como diria H. Gessinger, uma euforia de se estranhar!


Abraços fraterno, mestre!

Ana disse...

Hello..Luciano,

"Tudo é mutável,tudo aparece e desaparece. ..só pode haver
esperada Paz,quando se puder
escapar da agonia da vida e da
morte".
Tenhe uma soluçâo pro saco cheio:
Dar uma espetada nele..(rsrs).

Até mais...

abçss

Ana Lgo.

Mai disse...

A questão não é a atribuição de uma causa, é antes a duração temporal a que cada um se submete. O que mata é o tempoo de exposição.
"... A que será que se destina - existirmos?"
A sua poesia permanece em minha retina por um tempo sem fim.

beijos e uma boa semana

Luciano Fraga disse...

Ribeiro amigo, aguardei sua vinda na segunda feira, no dia seguinte viajei, mas não faltará oportunidades, abraço.

Luciano Fraga disse...

Douglas amigo, são disfarces, identidades estranhas e cada um vai trabalhando seu destino à sua maneira, até ser varrido, abraço.

Luciano Fraga disse...

Ana,"não se faz um novo céu e terra com fatos", principalmente com os fatos e os velhos truques...Abraço.

Luciano Fraga disse...

Mai amiga,muitas vezes em certas situações, um milésimo de segundo torna-se eterno... como um piscar de olhos, como ficar retido em sua retina arrasadora,isso é muito,muito bom,justifico.Grande abraço.

bat_trash disse...

Lu:
comentei esse poema no lugar errado...hahahahaha!
O comentário sobre este está nos comentários do poema abaixo...rrs.
Beijo grande, amigo!

bat_trash disse...

Não tava nem sabendo de sua cirurgia, mas pelo visto vc retornou com todo gás!:)
estou lendo o teu blog. Depois vou fazer uma visita ao blogue de outro baiano porreta: Oliver.

Luciano Fraga disse...

Bia, que alegria!quase euforia ter você de volta,espero que tudo que trazia aborrecimentos tenha sido amenizado.Com certeza este espaço vai ganhar um brilho todo especial com esse retorno...Depois das modificações do blog algumas pessoas confundem mesmo o local do coment.Depois me passa o blog de OLIVER.Beijo grande.

On The Rocks disse...

repouse em paz.

no aguardo do jornal.

buenas!

Luciano Fraga disse...

Buenas,e "que a terra lhes seja leve", sigamos em frente nesta viagem, abraço.

Ruela disse...

Sempre bem ler a sua poesia, parabéns Luciano.


Grande abraço.

Mirze Souza disse...

Petrificou-me seu poema, Luciano!

A descrição da aurora está divina e o poema como todo é bálsamo para a alma.

Parabéns, poeta!

Beijos

Mirze

Devir disse...

Pior que receber as mesmas cartas
de volta, sem o clarão do sertão
certinho, guardado
macunaíma continua engraçado

minhas rimas não são facas
são limas

Abraço, Caroa

endim mawess disse...

rebelde e contradizente das convenções sociais, gostei.