segunda-feira, agosto 03, 2009

Casal-Ismael Nery

FANTASMAS EM DETALHES



E foi-se tua alegria,
enquanto o ardor partia
daquela casa alva.
Eu já não suportava
a mesma imagem vazia
que nos arrastava,
nem minha voz que ressoava,
suscitando um tom
forçado de alegria
que você confundia
com a de um cantor de blues.
E tudo se perdia,
Eu, Você
e a melancolia que gritava:
abandona teu cauto,
refaz tua cama e tua calma
repassa as lições...
Enquanto eu traçava
um roteiro infame,
entre epidermes
e epitélios sexuais,
você perdia a noção de profundeza.
Aí eu soltava
o cão pelas asas
e caminhava veloz
pela contra mão;
você mergulhava em águas rasas
despejando desgraças
na palmilha da solidão.
Pinta os cabelos
da cor do cosmos,
confessa fictícios segredos,
muitas vezes
o cinismo convém
ao outro lado da periferia.
Faz assim,
com ingredientes ativos,
busca subverter
o que põe
fim a beleza
e nossos últimos dias,
pelo menos...



Luciano Fraga



37 comentários:

Adriana Godoy disse...

"pinta os cabelos da cor do cosmos
e confessa fictícios segredos,
muitas vezes
o cinismo convém
ao outro lado da periferia." Que coisa mais linda!!

A sensação que tive é do tempo se escoando, a monotonia se instalando, um misto de tédio e decepção, mas com uma indicação de que ainda há o que se fazer com a juventude que resta e com a relação que está por um fio. Não sei se minha percepção tem a ver, enfim, o poema é de quem o lê e o sente. Beijo, Luciano muito querido.

BAR DO BARDO disse...

Cara, esse teu poema tem pulso, lâmina e um quê no ar - um ritmo cosmolita de megalópole gótica em coma de malandragem baiana! Evoé!

Obs.: não sei o que escrevi acima, mas é sincero...

Felicidades, Bardo das Fragas.

Anita Mendes disse...

"Enquanto eu traçava
um roteiro infame,
entre epidermes
e epitélios sexuais,
você perdia a noção de profundeza."

lu ,
a epiderme sempre tão profunda, decifrando em braile um abstrato sentimento, zanzando como fantasma entre conceitos de profundeza e superfície... tentando chegar aonde? ao coração?

lindo tudo isso aqui caro amigo, lu.
beijos enormes, Anita.

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Chama se apagando, ações mais que reveladas. Quando acaba tem que acabar mesmo, se não serão só cenas esquecidas no próximo minuto. Não vale esforço, mas a escrita vale!

até mais.

Jota Cê

Ana disse...

"Fantasma em de detalhes".As vezes estamos vivendo um momento de desilusão ,um relacionameto de incertezas,misturando realidade com fantasia;enfim.."soltava o cão pelas asas e caminhava veloz pela contra mão"e nesse caminho,o mais difícil é a superação das dificuldades que sempre são criadas pelas atitudes.No intervalo entre um combate o outro,o guerreiro fuma seu cachimbinho e espera,se não for assim seus olhos não poderão enchergar!."As coisas virão no seu devido "tempo".Seu poema direto,simples e verdadeiro. Que seja "iluminado" sempre Luciano!abçss..namastê!!!rsrs

Ana disse...

"Mesmo que possua arreios de ouro,un asno é sempre um asno."abçsss.Ana Lago.

Zinaldo Velame disse...

Estive conversando com alguns amigos que visitam seu blog e pode ter certeza, você tem muitos admiradores da sua bela escrita. Essa é mais uma que vai arregimentar cabeças. Abraço!

Mirse disse...

Sem Palavras!

Redundante elogiar um poema inteiramente à flor da pele.


Maravilhoso!

Beijos

Mirse

Marcia Barbieri disse...

"você mergulhava em águas rasas
despejando desgraças
na palmilha da solidão. "

lindo,de uma tristeza com cheiro de partida

beijos

Ruela disse...

Excelente poema Luciano!


Abraço.

pianistaboxeador21 disse...

Despedidas são sempre dificeis.
muito bom

Devir disse...

Faz assim,
com ingredientes ativos,
busca subverter
o que põe
fim a beleza
e nossos últimos dias,
pelo menos...

Ao ler, este grande final, o ou os
destinatários gregos e troianos
se reunem para comemorar
a indefectível paz, mas
o tempo dos homens de Drummond
continuam partidos.

Meu caro amigo, Luciano
nosso devir, de ambos lados
ignora diferenças geográficas e
principalmente sócio econômicas!

E o cinismo, aaaah essa praga
que tem muita herança de origens
e poucos ingredientes ativos, mas
as profundezas darwinianas e
as chacrantes superficialidades
em algum tempo remoto será
ensinado já na pré-escola.

E quanta doçura na sua coragem
na constatação do mais comum e
retalhado real do ser humano:
Epiderme e epitélio sexual.
Oportunamente diz-se tambem:
Comum recalque de todo mundo.

Ao trancos (para acordar)
e barrancos (para descansar)
vamos nessa quem está vivo.

Grande abraço

Luciano Fraga disse...

Adriana, sempre estamos por um fio, independente do tempo, como disse nosso amigo Devir:"e olho para o tempo e quem fica tranquilo? e teria graça se fôsse garantido que as estações..." Então sua percepção foi completamente perfeita,nós "não temos tempo a perder",obrigado, beijo.

Luciano Fraga disse...

Bardo amigo, embora você não saiba o que escreveu acima, eu sei. Com toda certeza contém toda sinceridade mesmo.Devo ter sido tomado por um riso de uma virgem gótica, toda paz criativa do mundo, abração mestre.

Luciano Fraga disse...

Anita, conheci um grande mestre tibetano e que toda base de ensinamentos dele era voltada para este tópico;"tenha um bom coração", coincidentemente também pude entender um pouco como acontecem as conexões;estamos aqui, Eu e Você, estabelecendo-as com sinceridade e firmeza, beijo grande querida.

Luciano Fraga disse...

Rebeca e Jotacê, quando tudo perde brilho e desaparece o encanto, é hora de sair de mansinho enquanto restam respeito e dignidade, em qualquer situação, abração amigos, muita luz.

Luciano Fraga disse...

Ana, é sempre bom fumar o cahimbo da paz, desde que a guerra é irracional e isso é de propriedade dos asnos, mas estes são plenamente perdoados, eles pensam mas logo esquecem...Abraço.

Luciano Fraga disse...

Zina,temos muitos amigos bondosos, você sabe disso, forte abraço.

Luciano Fraga disse...

Mirse, partindo de você, poeta com seu nível,fico sem palavras, grato pela força sempre, abração.

Luciano Fraga disse...

Márcia, obrigado pelas palavras, mas tem cheiro de vou ali e volto logo,força no livro, estou esperando, abração.

Luciano Fraga disse...

Ruela, obrigado amigo, forte abraço, sucesso.

Adriana Godoy disse...

Luciano, sei que o espaço não é apropriado, mas só queria dizer que seu livro me acompanhou em minhas férias e pude sentir o gosto de ler os seus poemas e a cada releitura encontrar novos sentidos. Isso é fantástico e o livro continua em minha cabeceira junto com outros de minha preferência, por exemplo "Subterrâneos" de Kerouac. O outro volume passei a uma amiga poeta que simplesmente ficou encantada também com sua sensibilidade e intensidade.
Então, meu querido e iluminado poeta, só posso agradecer o privilégio de tê-lo como amigo mesmo à distância e deixar você saber o quanto o admiro. Beijão.

anjobaldio disse...

Buenas, essa é prá ler ouvindo Dylan (Girl from the north country)e tomando absinto. Grande abraço.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo Devir, entre trancos e barrancos vamos traçando e trançando nossas rotas, escrevendo páginas e reforçando nossos entendimentos,"eu do meu lado aprendendo a ser louco, um maluco total...", você "do seu lado na loucura real" assim vamos firmando uma amizade e uma consideração espantosamente valiosa para mim, não importa a geografia das coisas, conte sempre com a amizade desse aqui, pois sincera demais, forte abraço mestre.

Luciano Fraga disse...

Daniel," não chore seu disser que já vou, você quem quis assim, vai sofrer, não faça eu perder a razão, você machuca o meu coração e isso não se faz..." a partida é de partir mesmo, abraço.

Luciano Fraga disse...

Adriana querida, você absolutamente surpreendente.Até pouco tempo atrás, eu era um sujeito cético quanto às relações virtuais e todo o mundo que o cerca.Hoje concordo com nosso Devir:"nosso devir ignora diferenças geográficas".Assim sinto-me imensamente feliz e honrado por receber essa consideração de sua parte(ser seu amigo-indescritível mesmo), e podermos compartilhar nossas idéias e emoções, nossos sentimentos com outros amigos também.Assim saiba da reciprocidade, um dia ao ler um poema seu e conferir o nome A. Godoy(que nome de peso), pensei: será que um dia conseguirei ter uma aproximação?A poesia nos proporcionou a amizade,uma dádiva. Quanto ao Vagalumes dividir um cantinho na cabeceira com Kerouac?Covardia e diria como um dos meus prediletos-A. Antunes-"Inclassificável"- no bom sentido é claro, muito obrigado mesmo, um beijo de emoção.

Ana disse...

É...também aproveitei esse pequeno espaço aq pra te desajar que tenha um Domingo de muita paz e alegria,por que é seu dia Luciano...a luz é sempre presente ,quando tua janela esta aberta.
"Alegra,alegra coração,há tanto ainda para descobrir...!Feliz dia dos PaiS.SER PAI É...SIMPLISMENTE Tudo". Que os Deuses te proteja nas suas ídas e vindas,um eterno abraço. Ps.TÁ TE ESPERANDO!

Luciano Fraga disse...

Buenas, pois é vou tomar as providências nesse sentido, brindaremos, abraço.

tania não desista disse...

oi,luciano,saudades!...é ,o bicho pegou!.
primoroso,doloroso,realista...um romance, nos últimos momentos, em que dúvidas são certezas e essas...a pior das verdades!
bacana,luciano...timtim por timtim conseguiu ,desmistificar o amor vagabundo e a hora da luz no fim do túnel
muito bom poeta amigo,...não deixe de me visitar noog!

Luciano Fraga disse...

Tania, saudades também, o amor carrega seus mistérios embutidos no encanto, quando este esconde-se, existe luz no fim do túnel, mas quando desaparece é o próprio fim mesmo.Não deixo de visitar seu blog, não consigo postar comentários,forte abraço.

Luciano Fraga disse...

Tania, em tempo,ainda não perdemos o hábito de sonhar...Abraço.

marcio mc disse...

Lembrei de uma Histaria que você mesmo me contou...Aquela lá de Taperoá.Muito bom esse poema.

Devir disse...

Cada um sabe aonde dói
no corpo ou fora dele
o calo.
Jesus ou quem o 'historou'
mandou bem naquela frase
que o Chico imortalizou.
Sinceramente, não invejo
mas adoraria tal suave
idade da razão mista.
Chamo-a de razão, porque
cada qual tem por efeito
se a causa não é folclore.
E para pirar ainda mais
a bela e corajosa AGod, e
falando no mestre Lobato, como
se chama aquele personagem nosso
que tem os pés virado para trás?
Pobrezinho, sem qualquer reflexão
a bi-charada humana lhe fez só e na solidão se tornou folclore;
o preço da imortalidade dos outros.

Leiam o O Homem Que Ri, Victor Hugo

Um forte abraço, Luciano

Luciano Fraga disse...

Márcio, vou tentar lembrar esta história, no momento não consigo relacionar,deve ser a memória defeituosa mesmo, forte abraço.

Luciano Fraga disse...

Devir amigo, primeiro vou buscar o livro recomendado, cegamente!Segundo, você é um verdadeiro destrincha(dor) de textos e mistérios das escritas, tanto quando escreve, quanto às que chegam enroladas em papel crepom, como surpresinhas de festas folclóricas, sua valiosa atenção tem seu preço e um nobre título.Forte abraço.

Lunarr disse...

Amigo poeta,é hora de parar,refletir,e ñ temer o caminho..pois somos capazes de trilha-lo..de reecontrar a paz que tanto almejamos e ela está mais próxima do que pensamos;a paz encontra-se dentro de nós.Talvez adormecida,mais é lá que ela habta.Dar um tempo,as constantes preocupaçães e reecontrar o prazer de "VIVER",redescobrir a importancia de um sorriso e como ele faz a diferença em nossa Vida.."a alegria das pequenas coisas".sorria,sorria sempre!...TÓ AQ TORCENDO POR VC POETA,MUITA FORÇA.BJSSS.

Luciano Fraga disse...

Caro amigo/amiga Lunarr,"a paz invadiu o meu coração", pode parecer paradoxal, mas nesse momento não tenho a paz como prioridade,num certo sentido sinto-me sonolento e indolente ao lado dela, tenho optado pela inquietação e pulsação para seguir vivo.Obrigado,abraço.